
Árvores Sábias Ancestrais
7 de novembro de 2025
Conceito
Inspirada na arte de projetar rostos nas copas das árvores, esta instalação cria um espaço poético para o diálogo com a sabedoria da floresta. As pessoas podem conversar e fazer perguntas à árvore, que compartilha sabedoria ancestral por meio de histórias, mitos e fábulas inspiradas nas tradições dos povos indígenas.
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Como Funciona
Um totem em forma de obelisco, equipado com um projetor de alta resolução, está instalado perto de uma grande árvore em um parque público.
Projeção: Rostos ancestrais são projetados na copa das árvores, revelando sua presença viva e acolhedora.
Som: Alto-falantes discretos instalados entre os galhos dão voz ao espírito da árvore.
Interação: Um microfone no tronco capta perguntas do público, que são interpretadas por inteligência artificial treinada para comunicar a sabedoria ancestral dos povos da floresta.
Narrativas vivas: Respostas em forma de histórias, provérbios e ensinamentos regenerativos são transmitidas em tempo real, conectando o público urbano a um conhecimento profundo e muitas vezes invisível.
Objetivos
Tornar a sabedoria ancestral dos povos da floresta acessível através de uma experiência artística e imersiva.
Gerar empatia, respeito e conscientização sobre a importância das culturas indígenas e ribeirinhas.
Aumentar a conscientização sobre a urgência de preservar as florestas e a biodiversidade.
Criar um espaço público para contemplação e reconexão espiritual com a natureza.
Inspirar mudanças de mentalidade em relação ao nosso papel como guardiões da vida no planeta.
Referências
Philippe Echaroux (2016): Projeções de rostos indígenas em árvores da Amazônia, em parceria com o líder Almir Narayamoga Suruí, para denunciar o desmatamento e a invasão de terras.
Roberta Carvalho: Projeção de rostos de pessoas com doenças raras em árvores em São Paulo, unindo arte, saúde e conscientização social.
Aldelina Oliveira (Projeto Belém – Guamá): Projeção de rostos de moradores ribeirinhos, destacando o modo de vida e a visão de mundo das comunidades amazônicas.
Contexto da Solução
Vivemos numa era de intensa degradação ambiental: quase 10 milhões de hectares de floresta são perdidos todos os anos, o equivalente a 30 campos de futebol por minuto. Essa devastação causa perda de biodiversidade, erosão do solo, mudanças climáticas, crises hídricas e a expulsão violenta de povos indígenas de seus territórios.
A hegemonia da cultura colonial, patriarcal e extrativista marginaliza e apaga o conhecimento desses povos. No entanto, sua sabedoria é essencial para que reaprendamos a viver em harmonia com a Terra.
O projeto Árvores Sábias Ancestrais resgata e amplifica esse conhecimento, traduzindo-o para uma linguagem contemporânea e acessível, devolvendo à floresta a sua voz no coração das cidades.
Fazendo Acontecer
Os critérios para garantir uma implementação com maior ética, legitimidade e impacto devem seguir os seguintes princípios:
Realizar o projeto em conjunto com as comunidades (liderança indígena em todas as etapas). Em particular, na definição dos tipos de conteúdo que serão incluídos (histórias públicas versus conhecimento sagrado), como serão anotados e quem terá acesso a eles.
O modelo de governança e licenciamento deve colocar os direitos e o controle nas mãos das comunidades (por exemplo, propriedade dos dados, limites de uso).
Transparência técnica (saber quais dados foram usados, como o modelo responde, registros de decisões).
Usos restritos e sensíveis: preservação da língua, arquivamento de histórias, apoio à gestão ambiental e — quando apropriado — experiências artísticas aprovadas pela comunidade.
Passos práticos para a implementação:
Selecione parques urbanos com árvores grandes e boa circulação pública.
Desenvolver o projetor de totens com tecnologia de IA generativa treinada em narrativas ancestrais (com supervisão e curadoria indígena).
Crie roteiros de interação inicial para estimular perguntas e diálogos.
Realizar eventos de inauguração com cerimônias coletivas de escuta e partilha.
Integre a instalação em programas educacionais, workshops e visitas guiadas.
Potenciais Parceiros
Organizações indígenas e ribeirinhas (Instituto Maracá / Museu de Artes Indígenas, APIIB, COIAB, Instituto Raoni).
Instituições culturais (Sesc, Itaú Cultural, Goethe-Institut).
Parques urbanos e departamentos municipais de meio ambiente/cultura.
ONGs ambientais (WWF, Greenpeace, Amazon Watch).
Empresas de tecnologia criativa e projeção (Christie Digital, Epson, estúdios de AR/VR).
Fundos para arte e impacto socioambiental.
